quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Disputa por lote vira chacina em assentamento da reforma agrária no Pará

Seis pessoas da mesma família, incluindo quatro crianças, foram assassinadas no último dia 17 na zona rural de Conceição do Araguaia, no sudeste do Pará. A disputa por um lote em um projeto de assentamento da reforma agrária pode ter sido a motivação do crime. Um casal, seus três filhos e um sobrinho, com idades de 11, 12, e 14 anos, foram sido mortos a facadas na área conhecida como Fazenda Estiva.

As vítimas despareceram na madrugada de terça (17) e os corpos foram encontrados dentro de um rio que passa na área. A polícia faz buscas na região para encontrar os responsáveis pelo crime.

Um morador da cidade de Redenção, que conhecia as vítimas, diz que o casal ocupou um lote no futuro assentamento há três semanas. “Eles ganharam esse pedacinho de terra na localidade Estiva e estavam lá dentro porque o suposto meeiro não estava cuidando do lote. Parece que o presidente da associação achou por bem coloca-los lá nesse pedaço de terra”, conta.

O delegado Antônio Miranda Neto, que investiga o caso em Redenção, explica que a área está destinada a reforma agrária, o que pode ter provocado a resistência dos posseiros.

O mercado ilegal de lotes em assentamentos da reforma agrária se tornou uma das principais fontes de violência na disputa por terras na Amazônia. A venda dos lotes é ilegal, mas feita através dos presidentes das associações que controlam os assentamentos. Uma vez feito o acordo entre o beneficiário da reforma agrária e comprador do lote, o presidente da associações forja a filiação do comprador sacramentando o negócio ilegal.

Não é a primeira família a se chacinada na Amazônia com indícios de envolvimento em casos como esse. Em 2011 o casal José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foi morto em uma “tocaia” em uma estrada na Zona Rural de Nova Ipixuna, também no Pará. O caso ganhou repercussão internacional porque o movimento ambientalista tentou usar o casal para construir mais um martírio em defesa da floresta. José Claudio e Maria do Espirito Santo estavam também envolvidos em disputa por lotes em assentamentos da reforma agrária.

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