terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Todos os cadáveres do ambientalismo necrófilo

Um dos primeiros posts do Desambientalismo foi a republicação de uma matéria da Agência Brasil (veja aqui). O texto, escrito dez anos depois do assassinato da Irmã Doroty May Stang, mostra quem saiu ganhando com o martírio da freira, além dela própria, uma vez que se supões que ela esteja no paraíso nesse momento. Mas Irmão Doroty não foi nem de longe o primeiro, nem o mais ilustre, cadáver usado pelo ambientalismo necrófilo. Esse posto pertence a Francisco Alves de Mendes Filho, o Chico Mendes. Foi praticamente sobre o cadáver de Chico Mendes, assassinado em 1988, que o ambientalismo nasceu.

Anos antes de sua morte, Chico Mendes vivia rodeado de ambientalistas. O jornalista americano Andrew Revkin, que escreveu uma densa reportagem sobre o assassinado de Mendes, mencionou o drama desses ambientalistas. Eles tinham a missão de alertar o mundo para o desmatamento no Brasil, mas não conseguiam uma única manchete de jornal.

Um desses ambientalistas, Stephen Schwartzman, se queixava para outro, o cineasta inglês Adrian Cowell, de que era fácil mobilizar pessoas contra a pesca de baleias no Japão, porque baleias sangrando ao serem mortas e esquartejadas pelos baleeiros japoneses produziam imagens chocantes que viravam notícia rapidamente. Por outro lado, na questão do desmatamento, as imagens mostravam minutos e minutos de uma floresta interminável e ficava sempre a ideia de que não havia e problema. Era difícil emplacar uma manchete sobre desmatamentos naqueles idos anos 80.

Não foi difícil perceber que Chico mendes, que era gordinho, baixinho e rechonchudo, parecia com uma baleia minke (sem trocadilho).

Os ambientalistas começaram então um plano sinistro. Carregaram Chico Mendes pela mão a todos os eventos internacionais que puderam e criaram uma imagem mundial de um protetor da natureza e salvador dos povos desvalidos e violentados da Amazônia. Coisa que ele nunca foi a priori.

Depois de construírem uma imagem internacional sólida para Chico Mendes, os ambientalistas atiçaram Chico Mendes diuturnamente contra um dos maiores assassinos do Acre. Darly Alves da Silva nunca foi um grande fazendeiro, nem nunca foi filiado à UDR, mas era um dos chefes de uma família cuja história é entremeada de mortes. Os Alves da Silva deixaram Minas Gerais rumo ao Paraná depois de um crime obscuro e deixaram o Paraná rumo ao Acre depois de outro. Se alguém quisesse morrer no Acre, um dos caminhos mais curtos era encrencar com os Alves da Silva.

Pois foi os que os ambientalistas induziram o Chico a fazer. Por meses as ações do Sindicato Rural de Xapuri, presidido por Chico, estiveram concentradas em Darly, embora as propriedades deles no estado fossem apenas uma nesga dos grandes latifúndios que se estabeleciam na região à época. Os ambientalistas chegaram a desenterrar um mandado de prisão contra Darly por um crime supostamente cometido no Paraná há quase vinte anos. Ao chegaram no Acre com o tal mandado, os ambientalistas não o entregaram à polícia. Entregaram ao Chico para que o Chico entregasse à polícia local.

Qual foi o resultado do esquema?

Os ambientalistas jogaram Chico Mendes contra Darly Alves. Um dos filhos de Darly matou Chico Mendes e deu aos ambientalistas seu maior mártir e muitas manchetes de jornal sobre o desmatamento na Amazônia.

Assim como caso de Doroty Stang mostrado em um dos primeiros post do Desambientalistas (veja aqui), a morte de Chico Mendes também resultou na criação de uma grande unidade de conservação, a Reserva Extrativista Chico Mendes.

Krautler e Casaldáliga: Dois projetos frustrados de
martírio.
Desde os anos 80 os ambientalistas sabem como tirar proveitos do cadáveres oriundos do martírio alheio.

Enquanto você lê esse texto deve haver pelo menos uma dezena de pessoas tentando construir o próprio martírio na Amazônia. Tem um bispo alemão no Xingu que procura quem lhe dê um tiro nele há mais de trinta anos e não encontra. Há outro, catalão, na região do Araguaia, no Mato Grosso.

O pessoal da Amazônia meio que já percebeu a malandragem e não cai mais na armadilha. Às vezes dá certo, como no caso da freira americana, mas em geral não se mata mais figurões na região.

Os ambientalistas já estão recorrendo a outra tática, uma aperfeiçoamento na engenharia do martírio alheio. Não existe mais indigente na Amazônia, só tem ambientalista. Levou um tiro e morreu na Amazônia, pronto, era ativista ambiental desde criancinha. Dias atrás mataram um foragido da justiça do Maranhão que estava escondido no Pará e adivinhem!! O malaca virou ativista ambiental na hora, seringueiro de poronga e tudo.

Os ambientalistas aprenderam que os jornalistas do sul maravilha publicam qualquer coisa que eles disserem. Ninguém checa, ninguém verifica, ninguém desconfia. Se a fonte é um ambientalista conhecido, os jornais publicam qualquer impostura que se assemelhe a uma verdade.

Imagem 1: Composição das imagens de Tomaz Silva (túmulo da Irmã Dorothy Stang) e Valter Campanato (túmulo de Chico Mendes). Imagem 2: Composição das imagens de Valter Campanato (Dom dom Erwin Krautler) e Wilson Dias (Dom Pedro Casaldáliga), todas da Agência Brasil.


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