terça-feira, 3 de março de 2015

Quem pagou pelo reflorestamento da Floresta da Tijuca?

Diante de uma crise hídrica no século 19, o imperador Pedro II ordenou desapropriações dos imóveis que formam hoje é Parque Nacional da Tijuca, ocupado por plantações de café, e iniciou um amplo reflorestamento. A estratégia propiciou a recuperação natural da mata, que sofria com erosão e estava degradada, segundo a chefe do Laboratório de Geohidroecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Luiza Coelho Netto.

“Naquela época, o solo e as rochas não conseguiam armazenar tanta água, porque sem as florestas, a água acaba escoando na superfície do terreno, não entra no solo [vai para o mar]. Então, o nível de água subterrânea caiu muito, como nos dias de hoje”, lembrou a pesquisadora sobre a situação na floresta. Na época, a corte e as comunidades do entorno da Tijuca eram abastecidas por essas águas.

De acordo com Ana Luiza, embora a Floresta da Tijuca não tenha condições de abastecer toda a população carioca, de mais de 6 milhões, cumpre um papel importante no clima e na recarga dos lençóis freáticos. “A floresta ajuda a água da chuva a infiltrar [no solo] e lança no ar”, explicou.

Com as medidas do imperador, acrescenta a pesquisadora, sem a pressão da ocupação urbana, a área se recuperou e hoje é um dos maiores parque urbanos do país, com opções de trilhas e visitas a cachoeiras. O Império retirou os agentes privados do negócio do cafe e liberou as terras para o negócio público de prover o serviço ambiental de proteção dos recursos hídricos.

O ambientalismo dos nossos dias não é tão inteligente e pragmático quanto foi o imperador Pedro II. Nossos ambientalistas julgam ser papel dos agentes privados o provimento do serviço público de proteger o meio ambiente. É um erro. Se o benefício é público, é função do Estado propiciá-lo.

Nossos ecolatras preferem perseguir a bruxa em que transformaram o agente privado.

Com informações e foto da Agência Brasil

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...