domingo, 10 de maio de 2015

Desmatamento no Rio de Janeiro pode?

Nos limites de uma grande área verde em um dos bairos mais nobres do Rio de Janeiro, a Barra da Tijuca, fica o Morro do Banco, uma das falevelas do Rio em visível expansão mata adentro. A área já ocupa uma extensão de mais de 155 mil metros quadrados, de acordo com dados do Instituto Pereira Passos (IPP), órgão da prefeitura do Rio. Desde 2002, o Morro do Banco conta com um ecolimite (barreira ecológica) que deveria delimitar o espaço para novas construções. Mas não é isso o que se vê. A expansão que se observa no Morro do Banco repete-se em outras comunidades da cidade, que nos anos 2000 receberam os ecolimites, com o objetivo de proteger as áreas verdes vizinhas às favelas.

O programa Ecolimites foi criado pelo prefeito Cesar Maia, no início dos anos 2000. Entre 2001 e 2004, 50 áreas verdes da cidade, que corriam o risco de ser invadidas por favelas, foram delimitadas.

Das favelas onde o sistema foi implantado, a situação é mais crítica em Rio das Pedras, com expansão horizontal de 11.678,72 metros quadrados. Já são mais de 160 mil moradores e quase 40 mil residências, muitas sem infraestrutura adequada. De acordo com o presidente da Associação de Moradores e Amigos de Rio das Pedras, Fabrício José dos Santos, não há fiscalização para conter o avanço dos barracos. Apesar da existência de ecolimites na comunidade, ele diz que nunca foi informado pela prefeitura sobre a delimitação do espaço. "Infelizmente, em comunidade carente acontece essa invasão de terra, e a associação fica impotente sem o apoio da prefeitura. Deveria haver um comprometimento maior dos órgãos competentes", diz Fabrício.

Na Rocinha, uma das maiores favelas do Rio, os ecolimites também não vingaram. Segundo a Associação de Moradores da Rua Capuri e Adjacências — vizinha à favela —, os ecolimites foram ignorados pelos moradores. "Os moradores passaram por cima dos cabos de aço que delimitavam o espaço. Na Vila Verde, por exemplo, chega a ser descarada a invasão. Os moradores derrubam árvores centenárias para a construção de novos barracos", diz um diretor da associação que não quis se identificar temendo represálias.

Assim como na Rocinha, na comunidade do Pereirão, em Laranjeiras, moradores ultrapassaram a barreira construída com cabos de aço, segundo uma ex diretora da Associação de Proteção Ambiental São José (APA), que também preferiu não se identificar: "A região só faz crescer, e não há nenhum impedimento pela prefeitura".

O crescimento desordenado das favelas na cidade levou, em 2001, ao anúncio, por parte da prefeitura, dos tais ecolimites que consistiriam em alambrados, marcos de cimento e trilhos com
cabos de aço para restringir o avanço do processo de favelização e proteger áreas verdes. O primeiro “corredor ecológico” iria dos maciços da Pedra Branca, na Zona Oeste, ao da Tijuca, com extensão de 15 quilômetros. O mesmo seria feito em comunidades da Zona Sul, em especial nas áreas de confluência com matas, entre elas, Rocinha e Vidigal. Um dos principais defensores do projeto era o atual prefeito Eduardo Paes, então secretário de meio ambiente do governo Cesar Maia.

Os ecolimites chegaram a 50 comunidades. Mas, com o passar dos anos, surgiram os primeiros indícios de disfunção dos ecolimites. Uma análise do próprio Instituto Pereira Passos (IPP) da prefeitura, em 2009, dava conta de que, de 33 favelas contempladas pelo projeto, 21 (64%) tinham apresentado, após adoção das barreiras, crescimento horizontal entre 2004 e 2008. Ao todo, a expansão teria sido de 36.991 m², o equivalente à área do Morro do Chapéu Mangueira, no Leme. Na época, a avaliação de técnicos envolvidos no programa era que faltara fiscalização, o que fez o município perder o controle das áreas delimitadas. Algumas favelas não dispunham sequer de mapa com a localização precisa das demarcações.

Enquanto isso ocorre nos 5% que restam da Mata Atlântica, os olhos do movimento ambientalista e dos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais continuam voltados para os 80% da floresta Amazonica que continuam de pé.

Foto: Mario Moscatelli

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Enquanto você passa os olhos por esta postagem a Prefeitura de São Paulo se prepara para desmatar uma parte da Mata Atlâ...

Posted by Desambientalismo on Sábado, 2 de maio de 2015
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