quarta-feira, 17 de junho de 2015

#EcoEstupro: Greenpeace tenta encobrir denúncias de abuso sexual contra ativistas da ONG na Índia

Ambientalistas de altas patentes do Greenpeace estão em rabos depois que uma ex-funcionária veio a público com alegações de estupro e assédio sexual contra seus colegas da ONG. A falta de atitude da ONG contra os ambientalistas molestadores de jovens ativistas tem estimulado outras ex-funcionárias a denunciarem abusos semelhantes. Agora, a ONG está contra a parede com ativistas criticando a atuação da organização nos casos.

Em um artigo publicado em um fórum de debates na web na semana passada, uma ex-funcionária do Greenpeace, cujo nome não foi revelado, alegou que teve que deixar seu emprego em 2013 depois de ter sido assediada sexualmente e estuprada por seus colegas.

Ela disse que o assédio começou um ano depois que ela se juntou aos ativistas da ONG em seu escritório Bengaluru. O primeiro incidente aconteceu durante uma viagem oficial em outubro de 2012. "Eu recebi um telefonema de um colega sênior, às 11 horas, me pedindo para desocupar o meu quarto e insistindo para que eu dormisse em sua suíte", disse a ambientalista.

Embora tenha registrado uma reclamação por escrito com o gerente de RH da ONG, ela não recebeu qualquer comunicação verbal ou por escrito do Comitê de Assuntos Internos (CAI) da organização, responsável por investigar esse tipo de denúncia.

Para sua surpresa, a ambientalista descobriu que a pessoa que ela havia denunciado era um criminoso contumaz e nenhuma ação havia sido tomada contra ele pela ONG, apesar de seu mau comportamento com outras duas ativistas.

No entanto, ela disse, foi admoestada por ter registrado a queixa. "Uma vez em uma reunião oficial, na minha ausência, dois funcionários seniores sugeriram que a culpa pelo assédio foi minha. Até mesmo alguns colegas do sexo feminino, algumas do próprio Comitê de Assuntos Internos, me fizeram sentir culpada afirmando que eu não soube estabelecer limites", disse ela.

O assunto veio à tona em 2013."Foi depois de uma festa, quando um colega do sexo masculino que eu conhecia muito bem me encontrou inconsciente e me estuprou. Você não pode imaginar a dor e o medo que eu passei. Eu tinha pavor de falar e eu sabia que mesmo se eu denunciasse, ninguém nesta organização viria em meu auxílio. Eu não tinha a força para denunciar o meu estupro, nem à polícia, nem aos meus empregadores. Como eu poderia, se as denúncias que havia feito não deram em nada? ", Perguntou ela.

Traumatizada, ela deixou a ONG depois de alguns meses. Ela disse que levou muito tempo para superar o incidente e, finalmente, ela decidiu contar sua história através de uma postagem em sua página no Facebook em fevereiro deste ano.

Imediatamente depois de seu post, o Greenpeace emitiu um pedido de desculpas em seu site e prometeu investigar o caso de forma adequada. Admitindo a atitude negligente ao lidar com o caso em 2012, segundo o comunicado. "A vítima merece tanto um pedido de desculpas e um exame minucioso do que aconteceu", diz o comunicado.

No entanto, a vítima apontou que as ações subseqüentes da ONG mostram sua conversa fiada. "O Comitê de Assuntos Internos, que se reuniu em março, recomendou a demissão do estuprador, mas a Direção Executiva da ONG anulou a decisão. A única coisa que recebi foi um pedido de desculpas por escrito do molestador'', disse ela.

Apoiando as reivindicações da vítima, o ambientalista sênior da ONG, Reema Ganguly, que era membro Comitê de Assuntos Internos, disse que a ambientalista saiu do Greenpeace em maio, depois que o Diretor Executivo, Samit Aich, ignorou a recomendação da comissão para demitir o estuprador. “A sugestão do comitê de demitir o ambientalista estuprador foi anulada pelo diretor executivo, que ainda desfez o comitê'', disse Ganguly.

O Diretor Executivo defende sua decisão que protegeu o estuprador. ''Descobri que a investigação da comissão vazou para muitas pessoas no escritório. Então eu pedi um parecer jurídico que invalidou a decisão do comitê por ter vazado a informação. Por isso, dissolvi o comitê '', disse Aich. Quando perguntado por que eles não seguiram a decisão da comissão de demitir o estuprador, Aich disse apenas que uma forte advertência foi dada à pessoa. "Eu dei um forte aviso para a pessoa. Eu admito que houve falhas, mas vamos apertar as nossas ações disciplinares no futuro '', acrescentou.

Contemporizando o caso, o Diretor do Programa do Greenpeace na Índia, Divya Raghunandan, diz que alguns ex-funcionários levantaram questões válidas e que eles investigarão de forma séria. "Quando nós revisitamos os casos, sentimos que eles deveriam ter sido tratados de uma maneira melhor", diz Raghunandan, completando que a ONG reavaliará os procedimentos gerais para o tratamento de queixas de assédio sexual. "Reconstituí o Comitê de Assuntos Internos e ordenei uma auditoria nos casos antigos'' disse ela.

No entanto, ativistas e ex-funcionários questionam a falha da ONG em punir um criminoso contumaz protegendo-o por anos. Kavita Krishnan, Secretário da Associação das Mulheres Progressistas da Índia, afirma que os acontecimentos mancharam a imagem da ONG. "O Greenpeace não cumpriu sua promessa de punir o infrator. Eles se desfizeram o Comitê que recomendou punição ao ao ambientalista estuprador. A ONG amordaçou as vozes dissidentes. Eles esticaram os casos por muito tempo. A punição tem que ser explicita e clara',' disse Krishnan acrescentando que eles denunciaram o caso ao Greenpeace Internacional e ainda estavam esperando resposta.

Expressando preocupações semelhantes, Usha Saxena, uma ex-funcionária da ONG, alegou ter sido forçada a sair do Greenpeace porque ela tomou uma posição contra os casos de assédio sexual desenfreado na ONG. Saxena, que se juntou Greenpeace em 2009, disse que seus protestos contra piadas sexistas e observações caíram em ouvidos surdos. "Eu apresentei uma queixa contra a má conduta do diretor sênior de RH por sua atitude discriminatória ao fazer observações sobre o meu sexo, minha idade e me mandar buscar aconselhamento psicológico”, diz Saxena.

Outra ex-ambientalista (nome não revelado) também disse ter sido assediada pela mesma pessoa implicada no primeiro incidente. Ela disse que deixou a ONG em março de 2015 após a indiferença da ONG com o caso. "Ele fez alguns comentários desagradáveis na frente de muitos colegas mais velhos, incluindo o diretor executivo. Ninguém reagiu. Registrei uma queixa com o Departamento de RH no dia seguinte, mas a investigação encontrou o mesmo destino que as anteriores", disse. Ela também disse que iria tomar outras medidas legais se o autor da infração não for punido.

Tradução livre de artigo publicado originalmente no Portal One Índia. Veja o original: http://www.oneindia.com/india/sexual-harassment-rape-allegations-rock-greenpeace-1777948.html

Veja nota fo Greenpeace sobre o caso: http://www.greenpeace.org/india/Global/india/Greenpeace%20response%20to%20sexual%20harassment%20allegations%20by%20ex-employees.pdf

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...