segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Seres humanos prejudicam mais o meio ambiente do que desastres nucleares

Em abril de 1986, uma explosão da Usina Nuclear de Chernobyl, seguida por um incêndio, lançou grande quantidade de partículas radioativas na atmosfera, no pior acidente nuclear da História. Por causa da radiação, milhares de pessoas foram removidas de suas casas depois da criação de uma zona de exclusão para seres humanos. Chernobyl, no Norte da Ucrânia, se transformou em uma cidade fantasma. E, sem a presença humana, a natureza retomou o seu espaço.

Um estudo publicado nesta segunda-feira na revista científica “Current Biology” mostra que depois da retirada dos humanos de Chernobyl o local virou uma paraíso da visa selvagem semelhante a um parque de proteção ambiental. Sem humanos, bandos de alces, veados, cervos, javalis e lobos são vistos perambulando entre ruas e construções abandonadas há três décadas. "É muito provável que o número de animais selvagens em Chernobyl seja muito maior agora do que antes do acidente", diz Jim Smith, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido. "Isso não significa que a radiação é boa para a vida selvagem, apenas que os efeitos da habitação humana, incluindo caça, agricultura e desmatamento, são muito piores", conclui Smith.

Estudos realizados anteriormente nos 420.000 hecatares da Zona de Exclusão de Chernobyl apontavam efeitos dramáticos da radiação, com redução aguda nas populações selvagens. As novas evidências, baseadas em dados censitários de longo prazo, agora mostram que as populações de mamíferos se recuperaram.

O número de alces, veados, cervos vermelhos e javalis dentro da zona de exclusão é similar ao encontrado em quatro reservas naturais não contaminadas na região, demonstram os pesquisadores. Já o número de lobos vivendo em Chernobyl é mais de sete vezes maior do que o encontrado nesses parques protegidos.

“Esses resultados demonstram pela primeira vez que, apesar dos efeitos potenciais da radiação em animais, a Zona de Exclusão de Chernobyl suporta abundante população de mamíferos cerca de três décadas após a exposição crônica à radiação”, concluem os pesquisadores, que destacam ainda o aumento nas populações de alces e javalis em Chernobyl num momento de queda em outras regiões da ex-União Soviética.

Contagens realizadas por helicóptero revelam a tendência de aumento das populações de alces, veados e javalis entre um e dez anos após o acidente. Uma queda da comunidade de javalis foi registrada em um ponto, mas relacionada a uma doença, não à exposição à radiação. "Esses dados únicos mostram uma grande variedade de animais que prosperam a poucos quilômetros de um grande acidente nuclear e ilustram a capacidade de resistência dos animais selvagens quando livres das pressões humanas", diz Jim Beasley, pesquisador da Universidade da Geórgia, nos EUA.

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