domingo, 31 de janeiro de 2016

Cadê o extrativismo que estava aqui? O boi comeu!! Cadê o boi que estava aqui? O Ibama multou!!

Valdemar dos Santos já foi flagrado destruindo além do permitido por lei e acabou multado derrubando mais uma área. "Tá desmatando pra fazer pasto", pergunta o repórter da Globo. “Para fazer pasto e para a sobrevivência. Porque se aqui a gente for viver à custa da caça e da pesca, a gente morre de fome”, responde o pequeno agricultor. "Mas você passou do seu limite. A prova está a multa aí, 20 mil reais", retruca o repórter. "A gente é teimoso. Aqui todo mundo tá fazendo isso", diz o agricultor diante do boleto com a multa emitida pelo Ibama.

O diálogo acima foi capturado por um reportagem produzida pelo Globo Rural em abril de 2015. A equipe do Globo Rural esteve em um extremo da reserva extrativista Alto Juruá, comunidade Foz do Breu, fronteira do Brasil com o Peru. Lá naquelas brenhas o jornalista encontrou-se com Valdemar dos Santos.

João Ferreira, outro ribeirinho extrativista, também não escondeu de onde tira o sustento de sua família: um rebanho bovino dentro da reserva. As regras de uso da Resex autorizam um rebanho de até quinze cabeças. “Temos 150 cabeças”. Só na área dele, 80 hectares de floresta foram pro chão.

Mas e o extrativismo?

Raimundo Nonato foi o primeiro seringueiro assentado na reserva Alto Juruá. Foi atraído pelas promessas de receber ajuda do governo e extrair o látex, mas desistiu logo nos primeiros três anos de trabalho. O jeito foi partir pra outra. “Produzo feijão, arroz, milho", disse Raimundo Nonato ao Globo Rural. Além da lavoura, a família se sustenta com três aposentadorias: a dele, a da mulher e a de um filho deficiente físico. São três salários mínimos em casa.

Seguindo a subida pelo Tejo, a equipe do Globo Rural encontrou a casa do Olimar Vieira da Silva. Ele também é um dos pioneiros da reserva. Começou a vida aqui extraindo látex, mas assim como os outros, acabou desistindo. "Há cinco anos deixou de cortar seringa, hoje não corta mais nada", diz a matéria.

Com a falência da exploração da borracha na região, Olimar recorreu a um direito previsto nas regras de uso da reserva "extrativista": desmatar até 15 hectares de floresta. Na área que desmatou, Olimar se voltou à agricultura tradicional: só de mandioca, são quinze mil pés. “Tem época que ela chega a R$ 140, a saca de 50 quilos”, diz o ex-extrativista Olimar sobre a farinha que produz a partir do mandiocal. Numa safra boa, ele chega a produzir 300 sacas. Recentemente ele plantou uma roça de milho. Da floresta mesmo, ele tira muito pouco.

Vando Araújo Andrade deixou os pais lá na floresta. Arranjou um emprego na prefeitura, juntou um dinheirinho e montou um pequeno mercado em Restauração, principal vila do município de Marechal Thaumaturgo. Mais de 800 pessoas que viviam na floresta, hoje moram no local.

"O valor dos produtos da floresta caiu muito e isso acabou afastando os próprios moradores de manter a produção extrativista em alta. Optaram por caminhos que pudessem dar retorno melhor e mais segurança alimentar, melhores condições de vida", diz a matéria do Bôbo Rural

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